Sarajevo - Bósnia e Herzergovina

13:19:00



Difícil tentar explicar com palavras o que se passa pela nossa cabeça quando chegamos nesta cidade tão peculiar. Há um turbilhão de sentimentos que invadem a alma. A primeira impressão antes de irmos para o nosso hotel é a de uma cidade comum, com avenidas largas e arquitetura moderna. Mas aos poucos a paisagem vai se transformando, e algo quase inacreditável ainda estaria por vir. Quando nos deparamos com a cena de construções destruídas pelos ataques sofridos durante a Guerra da Bósnia (1992 - 1995), sentimos um grande impacto. Só então nos damos conta de que além de prédios destruídos, muitas moradias possuem marcas de tiros nas paredes. E aos poucos essas marcas, que já fazem parte do cotidiano de quem vive em Sarajevo, passam a fazer parte da nossa jornada.


Apesar da primeira impressão um pouco perturbadora, vamos lentamente nos apaixonando pelo lugar e pelas pessoas - que de alguma forma insistem em nos provar que é possível ser feliz mesmo após tanto sofrimento. Nunca, mas nunca mesmo, fomos tão bem recepcionados e atendidos com tamanha presteza e cordialidade como no hotel em que escolhemos nos hospedar. E cada sorriso da recepcionista parecia me dizer: "sim, estamos vivos e ainda somos capazes de amar o próximo!". Com certeza nessa hora tudo que eu tinha imaginado sobre a Bósnia mudou com um piscar de olhos, ou melhor, com aquele sorriso.



Começamos a conhecer Sarajevo no ponto emblemático onde as suas duas esferas culturais (oriental e ocidental) convergem: na charmosa rua de pedestres conhecida como Ferhadija. Uma enorme linha no chão já deixa bem claro o que esperar desta cidade enigmática. De um lado a forte influência do Império Turco Otomano com suas mesquitas e seus belos minaretes. Do outro, uma Sarajevo totalmente diferente, com catedrais, cafés e comércio já no estilo ocidental - parte que sofreu a influência do Império Austro-Húngaro. É como se viajássemos da Europa para a Arábia com apenas alguns passos. É nessa hora que a ficha acaba de cair e a gente começa a enxergar as várias facetas de uma cidade fascinante e ao mesmo tempo tão marcada por guerras. Não deixe de se perder nas ruelas de Baščaršija - o coração cultural e histórico da Sarajevo árabe. São inúmeros os bazares, cafés e pequenos mercados deste lugar que talvez seja a maior atração da cidade.









Saindo de Ferhadija em direção ao rio Miljacka, que cruza a cidade, chegamos na ponte Latina. Foi nesta esquina que, em 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando (herdeiro do Império Austro-Húngaro) foi assassinado, marcando o início da Primeira Guerra Mundial. No local está situado também o museu Sarajevo, que possui um grande acervo do período do Império Austro-Húngaro.




Um pouco mais a frente, ainda caminhando ao lado do rio que corta a cidade, encontra-se a Biblioteca Nacional. O prédio em estilo neo-islâmico se destaca no meio das outras construções com suas chamativas listras amarelas. Vale ressaltar que boa parte dele teve que ser reconstruída após os ataques dos Sérvios.




No dia seguinte, fomos de carro até outra atração imperdível de Sarajevo - O Museu do Túnel. Ao chegarmos no local, somos transportados à dura realidade do período em que a cidade permaneceu sitiada. Vale lembrar que foi o mais longo da história moderna. Por quatro anos os sérvios ocuparam as colinas ao seu redor, praticando tiro ao alvo nos civis que se arriscavam em sair de casa. Uma tragédia ainda mais absurda quando lembramos que ela aconteceu há apenas vinte anos. No museu existe um pequeno pedaço (aproximadamente 20 metros) do que um dia foi o túnel de 800 metros e que ligava o quintal de uma residência até um ponto fora da zona de guerra. Ele passava por baixo da pista do aeroporto e possibilitou, além da fuga de milhares de pessoas, a entrada de suprimentos e remédios para grande parte da população atingida durante o período em que Sarajevo ficou cercada.





Nosso dia terminou com um agradável jantar no restaurante Park Prinčeva, localizado na parte mais alta de Sarajevo (fomos de carro, e algumas ruas eram bem íngremes) e por isso mesmo com uma vista formidável dos incontáveis minaretes que pontuam a cidade. Há um belo jardim e apresentações com músicos da cidade. E o melhor dessa noite, sem dúvidas, foram as companhias maravilhosas! Foi uma viagem inesquecível. Muita saudade do nosso grupo!










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